quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Valter A. Rodrigues


São os organismos que morrem, não a vida. (Deleuze)

Ao nosso querido e amigo mestre, uma imensa gratidão por convivermos com sua generosidade, afetividade e honestidade.

10 comentários:

Anônimo disse...

Não poder ouvir suas escutas, aquela voz de bicho, aquela palavra de cão... Valter ficou marcado em quem o encontrou, de algum modo a gente aprende a ouvir com ele, tossir com ele, trocar a letras [questão crínica], se inventar.

Mesmo na dor, é a felicidade de tê-lo encontrado que nos anima: os encontros com ele nunca morrerão.

Saudade
Eder

Duda Bastos disse...

Agora aproveitamos o rastro posto que, sem dúvida, estamos impregnados de ausência, passado e reticências.

Continuo por aqui para testemunhar e provocar. Salut!

Um saudoso abraço
Duda Bastos

Anônimo disse...

A primeira vez que conversei com Valter foi no último São João. Eu já o admirava. Quando entrei no ônibus rumo a Iguaí, num sábado meio dia e quinze, eu vejo aquele homenzinho com suspensórios se acomodando numa das primeiras poltronas. Ousadamente, dirigi-me a ele como se já fôssemos amigos. Ele ficou sem graça a princípio, mas logo já falávamos de Foucault, Deleuze, Nietzsche e Amauri Ferreira. Antes de sua parada em Morrinhos eu lhe dei um livro – Deleuze e o Cinema, de Jorge Vasconselos – e lhe disse: “Aqui é para solidificar nossa amizade, Professor”.
Há algumas semanas, novamente a cena se repetiu. No mesmo ônibus, no mesmo horário, olha o baixinho outra vez. Eu logo fui ao seu encontro com muito mais intimidade e disse-lhe: “Como vai professor?”. Sentei ao seu lado. Falamos sobre o PT, sobre Freud e sobre Fuganti. Ele me falou de sua aversão ao ambiente acadêmico e da decadência da Psicologia. Disse-me ainda que cultivava planos de lecionar na Uesb no curso de Cinema, uma de suas grandes paixões, pelo que me pareceu.
Quando soube de seu falecimento muito me entristeci. Imaginava que as cenas do encontro no ônibus se repetiriam por muitas vezes. Disse a um amigo: “Valter tinha tanto a dar, seu cálice estava transbordando de dádivas – assim como Zaratustra de Nietzsche”.
Compareci ao velório e percebi que um intelectual não está preso a um corpo. Suas ideias ganham vida própria e se propagam fazendo com que ressurreições ocorram constantemente. Em mim, carregarei fragmentos de suas ideias. E, em minhas boas memórias, sempre haverá um lugar para meu amigo Valter.

Rovilson Ribeiro

mona disse...

Como dói a ausência física, não poder ouvir sua voz..
Mas os encontros foram tão maravilhosos.. houve tantos agenciamentos, que o prazer de ter tido a convivência alivia a dor..
Saudades de mais deste mestre amigo, dos seus latidos, da conversa,dos incomodos que me provocava, das dores de cabeça sentida após a sua aula.. porque não conseguia parar de pensar.. porque afinal uma coisa, que liga na outra, e que liga na outra...

Monaliza

Maicon disse...

Uma vida experimental! De tanta coisa bonita, feliz, triste, potente, humorada, inusitada... Dançava sempre nas cordas bambas. Uma vida que não cabia em si! Tão larga que inundava outras, muitas outras... Quem passou por essa vida, chamada Valter, se tornou outro, em alguma medida virou outra coisa. Nunca mais fomos os mesmos depois desse encontro. Tudo é tão forte! Palavras são tão limitadas pra falar de uma vida como essa. Uma vida indefinível... que abraçava os riscos do pensamento e da amizade. Uma vida que já não é apenas uma, nunca foi apenas uma vida. Muitas vidas pulsam mais do que nunca agora. A voz quase inumana que o acompanhava grita agora em outros corpos. A sensibilidade aguçada sente agora em outras peles...

Zezel disse...

Cheguei aqui pra matar a saudade, só que a minha saudade não morre, ao contrário, ela cresce e machuca mais a cada dia. Sinto falta da risada, da dancinha de bailarina, dos latidos, da voz lendo pra mim ou falando ao telefone "Mô...que hora cê vem?" Sinto falta do barulho da chave na fechadura e dele entrando em casa dizendo "oooooi, e aí?" com uma sacola da Letras&Prosa ou da Canal 3 nas mãos, muitas vezes com as duas... sinto falta de ver filme até enjoar, comer pipoca com café...e ver filme de novo... dos molhos inventados no almoço de domingo que sempre saía depois das 3 da tarde... sinto falta dele falando "Luquinha, vem pro pai, vem...", das mensagens carinhosas no celular... das conversas intermináveis no telefone nas madrugadas insones em Morrinhos... Falta do abraço (eu costumava chamar de meu lugar), falta do cheiro, falta da voz... Sinto falta dele.

Denise disse...

Sempre que chego aqui meus zoinhos enchem d'água...
Cadê vc Valter? Já lhe perguntei tanto isso... "Por aí!" Ele dizia.
Por quanto tempo continuará doendo?
Eu nem sequer posso imaginar o que sentes viu Zel... Você, quem ele tão amávelmente dizia ser a culpada de sua presença nesta terra fria... quente... quente e fria... depende da hora do dia...
Estive pensando que eu nunca fiz parte dessa cidade como Valter fez, fico olhando pra estas ruas e parece que vou encontrá-lo na próxima esquina como era de costume, como bem disse zezel, com a sacolinha da Letras e Prosa ou da Canal 3... Quase sempre de suspensório... Ô Valter! Porque naquele dia vc me deu atenção? Porque acolheu minha indignação? E depois sem zombar me mostrou que eu estava lendo errado? Agora toda vez que leio algo, sinto que foi vc que me ensinou à ler. Porque foi vc Rodrigues! Que tantas vezes chamei de convencido! Eu devia ter dito o quanto te amava meu amigo (Como Josué também colocou bem no seu texto...) Eu nem sequer tinha percebido quantos 'devires' tive após os encontros contigo, um dia de cabeça baixa, pensei que ninguém me escutava e praguejei estas palavras "Eu preciso mudar!", foi quando vc disse "Vc já mudou!"... Só hoje eu percebi...

Saraswati disse...

... eu fico emocionada de ler tantos comentarios transbordando de afetos, e me sinto entre todos, atravessada... a primeira vez que encontrei o Mestre querido na faculdade Juvêncio Terra, conversamos alguns poucos minutos sobre Nietzsche entre outros e eu pensei: "pra onde ele for eu vou"! esse encontro foi um impacto pra mim, e pouco tempo depois, me encontrei num grupo extremamente rico e alegre! Era Valter o responsavel de tanta energia. Era vida, e continua... todas as palavras serão poucas para expressar minha gratidão, todo silêncio pouco para calar a dor ... para o infinito meu amigo, amo você Perla

João Omar disse...

Chega um momento em que num único fato prende-nos a questionar num vago e inesperado silêncio... E todos nós, sem jeito, sincopados deste pulso leve, brincalhão de criança e sábio, cegos por não ver a outra margem do mistério da vida na qual gostaríamos que este amado amigo estivesse nos olhando e sorrindo, sentindo como nós o sentimos, misturando tantos sentimentos que nem mesmo toda literatura espinoseana nos confortaria, por apenas ficarmos pasmos desse salto. "Tolos"!!! Me lembra quando no Senhor dos Aneis quando Gandalph se atira, rendendo-se ao abismo devido ao peso de seu corpo, enquanto todos tentavam socorrê-lo. "Tolos"!!! E lança-se no abismo... Sentimo-nos um tanto "tolos", porque nada sabemos? Tolos porque amamos. O espírito é pássaro e o corpo é pluma... Saudades

morgana poiesis disse...

carta para quem não pode ler:

http://morganapoiesis.wikispaces.com/cartaparaquemnaopodeLeR

levo-o comigo,
com todo o meu amor e saudade