quarta-feira, 5 de novembro de 2008

ARTIFÍCIOS PERROS. CARTOGRAFIA DE UM DISPOSITIVO DE FORMAÇÃO, por Cynthia Farina


Saltando ou de quatro, eram as maneiras como se podiam cruzar as insólitas aberturas que conduziam à sala da instalação. Toda vermelha, a sala continha risos nervosos estirados sobre um colchão com almofadas no centro. Risos que não se desgrudavam de um vídeo caseiro projetado numa grande tela de TV, a um metro do colchão. Risos atentos a anatomias inverossímeis, a fotografias desconcertantes, expostas nas paredes da sala. A mesma pessoa havia fotografado, desenhado, filmado e projetado as imagens. A mesma pessoa que era também imagem, motivo, tema e personagem das cenas e do cenário: o artista. Ele compartilhava o protagonismo das imagens com dois mais, um deles que sobre as duas patas traseiras media mais ou menos a sua altura, e um filhote, talvez da mesma raça que o animal adulto. Os risos voyeurs acomodados no colchão apreciavam incômodos o despojamento e a sedução das aproximações corporais até o ato em si, até a relação sexual entre os dois machos adultos das duas espécies. O homem, de quatro, acolhia o cachorro que se sustentava em duas patas. Este, toda uma virilidade protagonista.
Para ler o texto na íntegra, clique aqui.

3 comentários:

Valter A. Rodrigues disse...

Este texto serve como "alimento" para possíveis debates sobre as parafilias, quer em sua versão normativa, psiquiátrica, quer para a invenção de outros olhares para os usos dos prazeres (à la Foucault...)

Valter A. Rodrigues disse...

... e para a experimentação, para as possibilidades de existencialização, de emergência singular de uma ética/estética da existência...

Justine disse...

É através de uma dessas interfaces que podemos ver até onde compomos com o outro, até onde nossa subjetividade vai. É arte, é a vida como obra de arte. rsrs