quinta-feira, 13 de março de 2008

Pensar...


Sempre se diz que o pensamento é algo difícil de alcançar, que é de alguma forma nobre, altivo, superior o que se faz quando se pensa. Seriam necessários fundos, mundos e tempos para se conseguir chegar a uma possibilidade de pensamento que fizesse jus ao nome... cá com meus bandos – que nunca me permitem o ensimesmamento do claustrofob’Eu, acho que roda por aí a baiana de um exagero, pra pior ou pra mais baixa pretensão de pureza.Talvez porque alguns bigodes suntuosos tenham deixado a ridícula história do nosso conhecimento no lugar onde ela sempre mereceu estar, talvez porque seus intercessores, na construção de seus novos corpos com-enfisema-pulmonar (ou com joelhos arrebentados...) só me tenham levado à conclusão de que pensar é precisamente aquilo que passa com maior distância dessas petições de nobreza... é a confusão entre esforço e raridade...

O que nos pega pelo calcanhar é a dificuldade de fazer do pensamento algo mais que um totem intelectual, inventando seu contorno como um engenho da atividade cotidiana, uma condição de modos de vida por vir... nesse sentido, pensar não seria dispor de uma estranheza de sensibilidade? Ou um olhar outramente para as coisas (que ao mesmo tempo as produz...)? Aí se encontra o motivo da raridade do pensamento, já que nossa energia de vida costuma não ser investida em visitas a territórios que desconhece... mas isso não testemunha para a dificuldade e sim para o comodismo. Pois se é certo que preferimos a calmaria do bomsensocomum, não está aí o índice de que necessitamos de muito para pensar... instruções, sabedorias, técnicas, métodos, regras... o que isso tudo tem a ver com o pensamento? Não serão estas coisas retardatárias, aquilo que só vem depois que o pensamento já aconteceu?

O pensamento dispensa referência porque ele é auto-produtor. Seu engendramento é uma questão da vida, das intensidades do corpo, da nossa abertura para encontrar novas passagens para a sensibilidade, do nosso desejo pela diferença. Depois de milênios, o que ainda hoje persiste burocratizando o pensar é a “modelomania” e a dívida infinita que proíbe o pensamento que não declare ter lido – “corretamente” – esta, aquela e aquela outra grande obra da nossa intelectualidade... É como nos diz o Sr. Keuner, “aquele que pensa”:

“Quem detém o saber não pode lutar; nem dizer a verdade; nem prestar um serviço; nem deixar de comer; nem recusar honrarias; nem dar na vista. Quem detém o saber possui, de todas as virtudes, apenas uma: ele detém o saber”*

Eder Amaral, madrugada de um dia desses...

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* Brecht, Bertolt. Dos detentores do saber. In Histórias do Sr. Keuner. São Paulo: Ed. 34, 2006. [p. 15.]

7 comentários:

Anônimo disse...

Maneiras de 'pensar' ou aliás de se expressar sobre o que é pensar muito confusa...Deveria usa a simplicidade da nossa lingua sem muitos conceitos filósoficos mas sim práticos...afinal será que tds de entendem?usar as palavras de maneiras mais saudáveis e não efêmeras.suas mdrugadas tem que ser mais proveitosas meu caro.

Anônimo disse...

vcs dessa tal 'usina' são tds detentores do 'poder'e da diferença não social mas in social que não existe... a lingua deve ser usada por sábios e não sabedores.Abraços a tds

Valter A. Rodrigues disse...

"Sem muitos conceitos filosóficos mas sim práticos..."
Pensamento separado da prática?

"usar as palavras de maneiras mais saudáveis e não efêmeras..."
Como seria isso?

"detentores do poder e da diferença não social [ilegível a segunda parte]"
??????????

"a língua deve ser usada por sábios e não sabedores..." Sábios seriam o quê? sacerdotes?

Valter A. Rodrigues disse...

Retomando a breve citação de Brecht (... pensando nos "sábios"/"sacerdotes" ...) que mantém aberto o texto:

“Quem detém o saber não pode lutar; nem dizer a verdade; nem prestar um serviço; nem deixar de comer; nem recusar honrarias; nem dar na vista. Quem detém o saber possui, de todas as virtudes, apenas uma: ele detém o saber”*

李小龍Paul disse...

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Valter A. Rodrigues disse...

Muito elucidativo seu comentário. COOL!!

Valter A. Rodrigues disse...

Um esclarecimento: Anônimos não são bem-vindos. Aqui cada um fala com sua própria voz, recusando a covardia moral dos que não falam por si. É a voz própria que tem potência de produção de um coletivo.